quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Spurgeon, um homem com olhos voltados para Deus

Ao ler um dos sermões de Charles Haddon Spurgeon intitulado A Maliginidade da Natureza Humana, comecei refletir sobre a importância do anúncio do evangelho para uma humanidade caída e alienada do Deus Verdadeiro. Ainda percebi a necessidade de ser arauto do Reino para anunciar a grandiosidade de Deus diante da pequenez humana. De fato estes esforços requerem ousadia, fé e, principalmente, arrependimento sincero dos pecados por parte do homem.

A mensagem de Spurgeon, embora seja do século XIX, torna-se contemporânea pois traduz que o homem precisa afastar-se das máscaras que o distanciam do Seu Senhor: a mentira, a hipocrisia estabelecida nos relacionamentos diários, a ética egocêntrica - desde que algo não me faça mal... -, a corrupção das relações afetivas no seio da família, a idolatria ao dinheiro, ao próprio corpo, enfim aos ídolos mais variados possíveis. Assim é bom entender o texto de Mat 9.17: "Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam." Isto implica afirmar que o homem necessita da ação de Deus para transformá-lo novo. Só Deus, através do Espírito Santo pode restaruar a natureza do homem, afastado de Deus pelo pecado.

A propósito, o pecado foi combatido nos mais diversos sermões de Spurgeon com a finalidade de levar os ouvintes a se converterem a Jesus Cristo, negando-se a si mesmos. De certa forma, conclamam as pessoas a buscarem um padrão de vida voltado para Deus e não para si mesmas - , visto que hoje, muitas vivem olhando para um espelho a sua frente. O pregador desperta a consciência altruísta bíblica, ou seja, ajudo o outro porque ele precisa de mim e não porque terei uma "alma" melhor. Não obstante estas considerações, a sociedade contemporânea precisa voltar-se para o Jesus Cristo vivo, ressureto, o qual antes morreu por amor a pessoas que o negam hoje. Já que envolvidas com seus cursos de aperfeçoamento profissional, ida a shows de artistas famosos, visistas a lugares paradisíacos, presença a eventos sociais cobiçados, acúmulo de bens materiais, não têm tempo para Ele. É uma pena: uma sociedade sem tempo para Deus e com tanto tempo para o homem!

Diante desta realidade, o que o irmão Spurgeon diria? O que diremos nós?Afinal somos tão cristãos como ele, ou não? Faz-se necessário que a igreja do Senhor Jesus possa anunciar a verdade do Evangelho com ímpeto, intrepidez, santificação e amor. Em cada tempo, o Senhor Deus tem levantado Seus arautos. Houve a época de Spurgeon, que não se calou diante daqueles que queriam negar a infabilidade da Bíblia. Hoje as vozes missionárias precisam advertir o homem pós-moderno dos riscos de seu tempo.

Com efeito, o inglês Charles Haddon Spurgeon, filho de John Spurgeon e Eliza Jarvis, convertido ao Cristianismo em 1850, tornou-se uma das vozes batistas mais representativa na proclamaçção da verdade bílbica para a humanidade. Seus sermões ecoam ainda hoje despertando a humanidade de seu estado de alienação de Deus. Não possamos, portanto, esquecer-nos do exemplo deste homem de Deus, que aos cinquenta anos voltou para o pai. É necessário anunciar a verdade em Cristo para que muitos, ouvindo, como ele ao se converter, o texto de Isaías 45.22a "Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra", convertam-se ao verdadeiro Deus.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sermão: Deus ama com Justiça

1ª Parte - Sermão – Esboço

Tema: Deus ama com justiça
Texto: Jo 3. 16-21

Introdução:
I – Amor e justiça são conceitos diferentes, mas que se complementam;
II – Em Deus conhecemos a integração destes conceitos;
III – Por que Deus ama com justiça?

Corpo:

I - Porque Deus deu seu Filho Unigênito ao mundo
A – Por amor
1 – Para crerem nEle
2 – Para não perecerem
B – Não para julgar
1 – Não veio como juiz
2 – Veio como salvador

II – Porque a sentença de Deus é justa
A – Quem crer no nome do Unigênito
1- Não será julgado
B – Quem não crer no nome do Unigênito
1 – Já está julgado

III – Porque o julgamento de Deus está na luz
A – Quem pratica a verdade
1 – Vem para luz
2 – Para manifestar suas obras
B – Os homens amaram mais as trevas
1 – Porque suas obras eram más
2 – Aborrecem a luz e não se chegam a ela
a. Para não serem questionados sobre suas obras

Conclusão:
I – Deus demonstra seu amor ao mundo enviando o Unigênito
II – O Unigênito Filho de Deus não julga, salva
III – Quem é da verdade crer no Unigênito, mas quem é mal O rejeita


Aplicação:
Creia no nome do Unigênito Filho de Deus, Jesus, para que você seja salvo e não tenha que ser julgado por Deus.



2ª Parte: Sermão escrito

Amor e justiça são palavras com conceitos diferentes, mas que uma não nega a outra, antes se completam. É exatamente em Deus que amor e justiça se juntam, pois conseguimos entender que Deus ama com justiça.
Estes conceitos foram apresentados aos judeus e não foram entendidos como relata o capítulo 3 do evangelho segundo João. Isto é possível ainda hoje. Muitos ainda não entendem por que Deus ama com justiça. E você será que entende?
Ao estudar o texto de Jo 3.16-21, apresentamos três aspectos que justificam porque Deus ama com justiça.
O primeiro deles diz respeito ao fato de DEUS TER DADO SEU FILHO UNIGÊNITO AO MUNDO. Em Jo 3.16 lemos que Deus deu seu Filho Unigênito porque amou ao mundo. Este amor tinha um propósito: que as pessoas cressem no Filho e crendo não perecessem antes tivessem vida eterna.
Notamos que o Filho não veio julgar como expressão de amor do Pai. Isto prova que não veio como juiz e sim como salvador. Meus amados, o Filho salva! É esta verdade que o Pai – Deus – quer que você entenda.
Outro aspecto mostra que A SENTENÇA DE DEUS É JUSTA. Nisto conhecemos a justiça de Deus: quem crer no nome do Unigênito não será julgado, ou seja, crer em Jesus é a única forma que o pecador possui para não ser julgado por Deus. Isto prova mais uma vez que Jesus salva. Agora você pode até pensar: e aqueles que não crerem em Jesus, não aceitá-lo? A resposta está no versículo 18: “já está julgado”. Esta, pois, é a sentença de Deus: quem crer em Jesus será salvo, mas aquele que não crer já está julgado.
Lembre-se de que a crença é no NOME de Jesus. Então você não pode alegar que precisaria vê-Lo para crer. Até porque os judeus viram e não enxergaram.
Esta atitude dos judeus consiste no terceiro aspecto: O JULGAMENTO DE DEUS ESTÁ NA LUZ. Pois quem reconhecesse a Jesus seriam os praticantes da verdade. Estes então vieram para a luz a fim de manifestar suas obras a todos. Isto prova que estes foram para luz porque creram no Unigênito. Já os que não foram à luz – muitos judeus – ficaram pelas trevas. Isto se justifica porque suas obras eram más e assim aborreceram a luz, logo não se aproximaram dela para não serem questionados sobre suas más obras.
Então entendemos que Deus demonstra seu amor pelo ao enviar o Unigênito Filho para salvar a humanidade. E neste conjunto estou eu e está você, amado ouvinte. Só que há dois grupos distintos: os da verdade, que creram em Jesus e foram para a luz, e os das trevas que, por serem maus, rejeitam o Filho Unigênito. Pois bem, em que grupo você está?
Portanto, meu amado, minha amada, creia no nome do Unigênito Filho de Deus, Jesus, para que você seja salvo e não tenha que ser julgado por Deus. Amém.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cristo crucificado, loucura e escândalo? - Interpretação de 1 Co 1.22.23

Texto: 1 Co 1.22.23

Porque tanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos. (Bíblia de Estudo de Almeida, SBB, Revista e Corrigida)

Nesta interpretação proponho-me analisar o porquê do escândalo em Cristo e da loucura na pregação do evangelho. Parta tanto, primeiramente, faz-se necessário entender o que o texto significa na época em que foi escrito.
A fim de desenvolver tal investigação, estudemos logo o contexto imediato deste texto. Sendo assim cabe questionar: Em que consiste o escândalo em Cristo? Quem eram os judeus que se escandalizavam? Por que a pregação do Cristo representou loucura? Quem considerava a pregação loucura?
Estas perguntas têm suas respostas nos versículos imediatamente relacionados ao texto em estudo. Conforme se lê no versículo 18: Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem..., temos a resposta à primeira pergunta, logo, a idéia de morte e ressurreição de Cristo era tida como inaceitável para o povo da época por não crer em sua pregação. “Os que perecem”, no versículo citado, aludem aos judeus que pedem sinal (Ver. 22) para crer. Isto aponta para uma crença pela fé e pelo poder de Deus segundo atesta o versículo 24: ... os que são chamados. Assim, respondendo à segunda questão, os judeus que não foram chamados, não creram por lhes faltar a fé, logo se escandalizaram em Cristo, a palavra da cruz. A fim de responder à terceira pergunta é importante citar o versículo 21 : Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria,aprouve a Deus salvar os crente pela loucura da pregação. Neste versículo há a comprovação de que o mundo (povo daquela época) não conheceu a Deus por Cristo, preferindo conhecê-lO pela própria sabedoria da época, assim a pregação do evangelho, por não ser entendida pelos gregos (já que estes buscavam a sabedoria), constituiu loucura uma vez que a ideia de ressurreição, por exemplo, não era aceita por este povo. Na tentativa de elucidar o problema da quarta pergunta, fica evidente que os gregos, por buscarem a sabedoria, não aceitaram a mensagem da cruz, portanto, não estavam no grupo dos crentes salvos por Deus.
Para continuarmos a nossa análise, é necessário estudar o texto à luz da Bíblia inteira. Isto é possível por utilizarmos as referências encontradas e por nos valermos de uma concordância temática.
Logo no versículo há referência à palavra sinal, a qual alude a prodígios, como bem atesta o texto de Jo 4.48: Então, Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis. Este texto esclarece o quanto os judeus eram incrédulos, faltava-lhes a graça, pois precisavam ver para crer. Já no tocante à sabedoria buscada pelos gregos, a referência ao texto de At 17.18-32 aponta para sistemas filosóficos dos estóicos e epicureus. Isto prova que os grupos gregos queriam conhecer a Deus conforme as explicações de suas filosofias. Utilizando uma concordância temática, ao procurar a palavra escândalo, encontramos referências aos textos de MC 6.3 e 14.7 que apresentam situações em que os judeus se escandilazaram em Jesus por mias uma vez não crerem nEle como o Cristo. Já ao procurar referências sobre loucura, o texto de Rom 1.14, utilizando um paralelismo, esclarece o caráter cultural deste povo por apresentar que são sábios. Ainda apropriando-se da própria referência do texto, no versículo 23 em estudo cita-se Gl 3.13 o que comprova a loucura para os gregos e o escândalo para os Judeus pois a morte de um homem na cruz representa maldição. Isto escandaliza os judeus, visto que esperavam um messias glorioso, e, além do mais, esta morte que conduz à salvação pela fé não era aceita pelas filosofias gregas configurando, pois, loucura.
Para prosseguir com o nosso estudo, importa averiguar o que o texto significa hoje em dia. Então quem se escandalizaria com a pregação do evangelho ou consideraria loucura a atitude de Cristo em dar sua vida em morte vicária por amor ao mundo? Ou o que constitui escândalo e loucura na pregação da palavra da cruz?
Bem como os judeus e os gregos estavam presos às suas próprias tradições, hoje há pessoas descrentes na mensagem bíblica por não se justificar pelos postulados científicos. Ainda há aquelas que preferem depositar sua fé em rituais, objetos, pessoas, as quais não salvam. É comprovada, pois, a descrença no invisível, no intocável. Isto, com efeito, caracteriza a alienação do homem contemporâneo em relação a Jesus Cristo, logo deixa de crer na mensagem da cruz, considerada então como fábula, mito.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Fichamento: Diferentes concepções de língua na prática pedagógica

O texto parte do pressuposto de que, para se ensinar Língua Portuguesa, o professor deve ter uma concepção clara do que seja umalíngua e do que seja uma criança ( na verdade, um ser humano, de maniera geral), ao citar Possenti. Conquanto, faz-se obrigatório a análise dos novos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), até porque já trazem em seu bojo teórico discussões linguísticas contemporâneas que tomam o texto como a unidade privilegiada no trabalho pedagógico. Para tanto, é proposto que se reflita sobre concepções de língua e suas consequências para as estratégias a serem adotadas no processo de ensino-aprendizagem.
Desta forma, percebe-se que os objetivos e atividades de ensino são consequência de como se entende o objeto de trabalho Língua Portuguesa:diferentes concepções resultam em diferentes práticas. Assim, considerar o texto como unidade de trabalho pedagógica em língua portuguesa enfatiza a natureza da língua como aatividade simbólica e dialógica. Isto, portanto, favorece ao indivíduo a construção de identidade através do uso da língua e que o texto é o ponto de encontro das diversas habilidades que conduzem a essa construção.
Concepções de língua
O relacionamento entre o objeto Língua Portuguesa e o processo de ensino-aprendizagem caracteriza-se por três "ápices":
1)à concepção de língua como estrutura corresponde uma ênfase na unidade morfológica, ou palavra;
2)à concepção de língua como comunicação corresponde uma ênfase na mensagem, por sua vez constituída estruturalmente pela sentença;
3)à concepção de língua como interação ou atuação social, corresponde uma ênfase na unidade texto que, por sua vez, é constituído estruturalmente por sentenças.
Isto nos chama ao compromisso com uma prática pedagógica não pautada na mera substituição do enfoque dado ao objeto de ensino, antes nos compromete com a reflexão a respeito dos diferentes focos e perspectivas que recaem sobre o ensino de Língua Portuguesa. Contudo, atualmente, o objeto Língua Portuguesa tem seu ensino discutido enquanto prática discursiva. Isto chama a atenção para práticas pedagógicas que priorizem o texto, logo o ensino deve centrar-se numa perspectiva interacional ou discursiva de linguagem. Como resultado, então, ter-se-á o estudante no centro do processo por se considerar a necessidade de constituição da identidade dos sujeitos. Assim a língua se realiza num contexto de práticas sociais, ou melhor, de práticas discursivas.
O trabalho como o texto numa perspectiva discursiva suscita o problema da interpretação, vistto que a língua se estabelece como ato de locução entre sujeitos historicamente marcados. Contudo para Foucault (1996) as condições do que pode e não pode ser dito e, portanto, interpretado encontram-se determinadas, num dado lugar e tempo, pelas práticas discursivas.
Consequências didático-pedagógicas
Estratégias, metodologias que enfatizam o estrutural acabam por não contemplar o profundo redirecionamento do ensino e da aprendizagem do vernáculo quando este é centtrado no texto.
Para Paulo Freire, abordagens de educação promotoras de um profissional compromissado com uma formação além de sua técnica constitue a contrapartida pedagógica para essa concepção dialógica de língua. Citando ainda este educador (id:1990:62) afirma : "o porfessor 'antes de ser profissional, é homem', e como tal deve ser comprometido por si mesmo, 'não pode estar fora de um contexto histório-cultural em cujas inter-relações constrói seu eu' " (id.ib.). Haja vista a importância de tal abordagem discursiva, admite-se, pois, a noção de incompletude do homem, o que se torna a força motivadora pela busca do saber. Tal pressuposto teórico ganha reforço nas palvras de Pimentel (1993:34): "os educadores concebem o conhecimento como processo, espaço conceitual, no qual professores e alunos constroem um saber novo."
Esta discussão apresenta por hora algumas implicações nas abordagens pedagógicas:
(1) a linguagem considrada com mediação simbólica, em que o usuárioda língua se constitui como sujeito, diferenciando-se de "objeto" pelas escolhas no processo cultural; (2) o dialogismo que se instaura na linguagem como trabalho e na ação do homem pela linguagem, para dar forma ao mundo e a ele próprio no seu lugar nesse mundo, com a tomada de consci~encia das opções nesse processo; (3) a interação entre sujeitos históricos (professor e aluno) que ultrapassam, na construção do conhecimento, o que se convencionou rotular de forma e de conteúdo da linguagem.
Já no que concerne à Língua Portugesa, temos:
(1)da ênase na gramática, ou na metalinguagem, para o uso da língua; (2) do privilégio da norma culta ideal de língua para a norma culta convivendo com variantes linguísticas; (3) da leitura e escrita concebida como decodificação e silêncio para a leitura e escrita como compreensão ativa e reflexão crítica; (4) do erro como violação da norma de prestígio para o erro como inadequação situação de uso.
Considerações finais
Uma prática pedagógica que entenda o ensino de Língua Portugesa como atividade discursiva, logo, tome o texto como centro constitue um desafio. Este torna-se ainda maior à medida que percebemos a incompletude da linguagem no cerne de toda a prática. Por hora o professor se ver, então, convidado a desenvolver atividades discursivas o que o compromete com o seu aluno num processo de interação social, visto que passa a tatar o ensino de língua como um processo simbólico e, portanto, histórico.
Bibliografia
COROA,Maria Luiza Monteiro Salles. Diferentes Concepções de Língua na Prática Pedagógica. Revista do GELNE, Vol. 3, nº2, 2001.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Entre textos se tece uma História de leitura

As cantigas de ninar, os contos folclóricos e da literatura universal sempre estiveram presentes na minha vida, em especial, na minha infância. Foi exatamente em minha casa que ouvi várias vezes a estória de Cinderela através de um Compacto (espécie de disco miniatura em vinil). Ainda com minha família e vizinhos, ouvi as primieras cantigas de ninar, e não poderia esquecer as estórias de trancoso ( lendas, aventuras, mistérios do nosso povo). Então, a princípio, parecia que o encanto da literatura não estava para a escola, antes para o ambiente extra-escolar.
Pois é, a escola representava o lugar de aprender o ABC e a fazer contas. Aos 4 anos de idade, tive meu primeiro contato com a escola. É bem verdade que lá não se utilizava o texto escrito como instrumento para práticas de leitura. No entanto, pude compreender, embora de modo superficial, as primeiras relações sociais entre grupos diferentes, o que constitui uma forma de ler. Estava, pois, iniciando o meu processo de alafabetização, desde que considerado alfabetismo como bem atesta SOARES (2007:33) "o que as pessoas fazem com as habilidades e conhecimentos de leitura e escrita, em determinado contexto, e é a relação estabelecida entre essas habilidades e conhecimentos e as necessidades, os valores e as práticas sociais."
Mais tarde na escola, por volta dos meus 6 anos, só então o texto como unidade linguística constituída surge e a escola agora cumpre seu papel junto ao "ensino da leitura". Nesta época as atividades de leitura restringiam-se à decodificação. A partir de então entro em contato com as lendas folclóricas, as estórias que permeiam o surgimento da minha cidade, a biografia de santos católico (já que estudava em instituição confessional).
Contudo, os primeiros tesouros escritos encontrei-os em minha casa. Recordo-me nostalgicamente de certo dia quando decobri uma coleção de contos universais: Os três porquinhos, Rapunzel, João e Maria. Estes livros foram lidos e relidos muitas vezes. A estas eituras somavam-se as listas de compra dos pães que minha mãe escrevi para que eu pudesse comprar pães na padaria de seu Joãozinho. Não poderia deixar de registrar o dia quando ganhei os primeiros e únicos gibis (Turma da Mônica, Tio Patinhas e outros personagens de Walt Disney) ... Li-os também várias vezes; o engraçado que estes textos eram discriminados pela escola por fugirem à modalidade padrão da língua.
Na minha adolescência, decubro os romances, a beleza dos poemas locais e românticos como os góticos da 2ª geração, estes me inspiraram a produção de emus próprios poemas. Foi durante esta fase que aprendi a declamar as poesias de Austro Costa em oficina de interpretação promovida pela prefeitura. E continuei fascinado pela literatura descobrindo Bandeira, Drummond, João Cabral, Clarice Lispector, Pedro Xisto Fernando Pessoa, Machado deAssis, Alencar entre tantos. Quando li O Guarani, fascinei-me pelas aventuras de Peri em defesa de Ceci e de toda a família de D. Antônio de Mariz.
O tempo foi passando e pela graça de Deus, no auge de minha adolescência, tive contato íntimo com a leitura da Bílbia. A partir de então descobri as verdades contidas na literatura judaico-cristã, por exemplo, os Salmos, as narrativas históricas e heróicas dos reis e juízes, além das profecias, parábolas, epístolas e a misteriosa literatura apocalíptica.
Neste mesmo período passo no vestibular para Letras e começo a desenvolver as leituras de caráter científico mantendo contato com a mesma durante a especialização em Língua Portuguesa. Aproveito o momento para aprofundar meus estudos elaborando a monografia sobre a compreensão de textos concretistas do poeta Pedro Xisto. Além do mais, tive a oportunidade de desenvolver outras leituras em cursos de extensões na área de enfrentamento à violência, currículo escolar, entre outros.
Pois bem, hoje em minha prática utilizo diversos gêneros textuais o que oportuniza o atendimento às mais variadas culturas. Desta forma, por estabelecer uma prática eclética enquanto professor, procuro promover as mais distintas reflexões sobre o mundo em que estamos inseridos, logo, com o qual me comprometo e sobre o qual atuo como agente trasnformador.
Bibliografia
SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 5ed. São Paulo: Contexto, 2007.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eu, herói. E o outro?

O estudo de crônicas é no mínimo provocador. Após 3 dias de estudos intensivos em capacitação pela secretaria de educação do Estado de Pernambuco, fui provocado por leituras de crônicas diversas. Em um determinado momento tive a impressão de que estava perdido no caminho da narrativa. Acredito que foi necessário fazer o caminho inverso da aprendizagem: a desconstrução de conceitos. Foi a partir do momento que me deparei com "as pedras no meio do caminho", que refleti sobre a prática do fazer narrativas em especial crônicas. Como é difícil! A "desconstrução" de conceitos serviu para mim como um espelho, pois vi em meus dilemas os conflitos e dififculdades enfrentadas muitas vezes encontradas pelos alunos e que não percebemos na maioria das vezes.
A construção da temporalidade, a definição de espaço, a seqüência de fatos e envolvimentos entre personagens, realmente, constitui barreiras difíceis de serem vencidas. É necessário força de herói para lutar e conquistar o misterioso tesouro do texto ficcional.
Bem, ao final de lutas construi o texto. Permita-me O TOM POÉTICO. Quem sabe um novo estilo de crônica já que este gênero é tão INOVADOR.

Eu, herói. E o outro?

Não!!!!
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Grito, sim!
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Contra tudo. Tudo que me decepciona, que me agride e que chega a agredir até o outro, que, sem saber, pensa estar tudo bem.
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Não adiantam suas lágrimas de apelos desmedidos. Soluços de pérfida emoção. Aparência de frívolos sentimentos.
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Ah!... Sim? Assim, não! Já disse!
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Pronto...? Concordar? Com quê?
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Se é... assim ...?
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Cumpra-se!
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Lutar, sim. O grito é a expressão da librdade!
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Liberdade que me motiva, antes pelos exemplos antes de mim e pelas vidas deste, daquele e daquel outro lá, ali, acolá.
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Dor!?
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... conseqüência de um ideal. A tua própria vida justifica a dor que me imputas. Agora ... então? Chegou a hora? Não temas, vá adiante.
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Vês o homem atrás de seu reflexo!?
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Levanta-te então e quebra o espelho que reflete a imagem pretendida.
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Conclamo, pois, a vós todos para saírem do lugar comum e escrever com palavras, sangue, vida a História de cada uma.
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Não está no momento de contemplação das figuras mofadas do assado. A hora é agora. Já diz a popular canção "quem sabe, faz a hora. Não espera acontecer". Então, ou sabe ou não sabe?
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Inércia não é qualidade de heróis. Severino de João Cabral se movimentou, santos agiram em defesa de sua fé,Maria da Penha não permitiu que as limitações físicas lhe tirassem a voz. Então?
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Sacode a poeira dos pés em repúdio a tua condição e solta o grito que deve estar preso em tua garganta.

É importante salientar que a crônica reflete um fato da vida real. Neste texto procurei refletir vários fatos de épocas diferentes presentificando a figura de heróis de ontem e de hoje, do real e da ficção, promovendo um diálogo com o homem comum (todos nós) sobre nossa condição heróica.

sábado, 7 de junho de 2008

Os Desafios da Educação de Jovens e Adultos

Ao observar meus estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos), observei a dificuldade que representa para um ser humano voltar a estudar depois de anos fora da escola. O jovem ou adulto desenvolve uma leitura de si mesmo associada ao fracasso, incapacidade. E isto impregna todo seu ser, promovendo dificuldades de intra e inter-relações. Possivelmente em virtude desta auto-imagem deturpada de si e da realidade em que se circunscreve, o homem ou a mulher da EJA perde muitas muitas vezes a noção do ser social ativo, do cidadão co-responsável pela construção de uma sociedade plural em que deveria haver espaço para todos.
É bem possível que tal análise de si mesmo esteja determinada pelas relações de poder, muitas vezes opressoras,com as quais estes indíviduos tiverem contatos. Uma vez considerada esta premissa, faz-se necessário despertar neste grupo de discentes a luta pela humanização e pela superação da contradição opressor-oprimido (FREIRE:2005,62). Cabe, portanto, ao educador de EJA promover a liberdade criadora e aventuresca. Liberdade que está intrinsicamente associada à quebra dos paradigmas sociais com os quais tanto estudantes quanto docentes convivem. Desta forma, libertar consiste promover uma luta a favor de sua auto-afirmação enquanto SER socialmente constituido e ativo, como muito bem acentua FREIRE: "tal liberdade requer que o indivíduo seja ativo e responsável, não um escravo nem uma peça bem alimentada da máquina." (2005:62).
Neste contexto, a educação para Jovens e Adultos "se constitui (...) em meio a incertezas e desassossegos "(VIANNA, et all. in OLIVEIRA E PAIVA orgs. 2004:112). Assim o professor deve estar sempre em busca de um fazer pedagógico voltado para a busca da emancipação do SER. Na verdade, não aquele docente que se limita ao conteúdo acadêmico ou à educação bancária, antes promotor de desafios, incentivador da formação libertária que fomenta uma prática dialógica voltada para o protagonismo social.
Bibliografia
FREIRE,Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro:Paz e Terra, 2005.
OLIVEIRA, Inês de. PAIVA, Jane (orgs.). Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.